esse ano vivi uma experiência que me ensinou vida e coragem…
Há muitos e muitos anos (20 para ser mais exata) uma adolescente sonhava em conhecer o mundo, mas essa garota nutria um outro grande desejo, ser atriz. Esse desejo começou quando tinha 4 anos de idade e foi ao teatro pela primeira vez, mas ela ainda não entendia nada disso.
A história contada no palco de uma igreja da Vila Mariana, na Rua Joaquim Távora, narrava a história de uma menina que viu seu irmão ser raptado pelo vento. E aquela garotinha sentiu diversas emoções misturadas que jamais poderia explicar em palavras. Hoje se traduzem como perigo, emoção, coragem, medo, alegria, frio na barriga e outras tantas coisas.
Alguns anos depois ela foi ao teatro com sua turma do Colégio Jardim São Paulo e todas aquelas emoções pipocaram novamente e ela entendeu que queria fazer com que outras pessoas sentissem a mesma coisa que ela, então decidiu ser atriz. Depois de muitas discussões, depois de começar e parar vários outros cursos que nada tinham a ver com teatro, depois de saber repetidamente que não conseguiria se sustentar se seguisse seu sonho, resolveu levar a sério, mesmo quando ninguém mais levava: foi estudar para ser o que tanto queria.
Motivação número 1: mudar o mundo e fazer com que todos se sentissem vivos ao entrar em contato com uma obra artística.
Essa necessidade ingênua de transformar tudo e todos foi o que a fez ser tão dedicada e aprofundar seus estudos. Foi essa mesma ingenuidade que a fez ser persistente, às vezes pouco corajosa, porque acabou fazendo faculdade de Comunicação Social na ESPM. Ser publicitária era algo que a agradava e se tinha que escolher uma profissão para ganhar dinheiro, seria essa, mas nada de marketing, o lance é ser diretora de arte e trabalhar com criação. Resultado: 1º ano de curso se sentia um peixe fora d´água, tudo que aprendia em aulas como psicologia do consumidor batiam de frente com suas crenças. No entanto, adorava e adora esportes, então foi treinar voley, basquete e handball, entrou para o Grupo Tangerina (teatro da faculdade), continuou no seu grupo (formado por alunos do curso dado pelo Satyros, ainda na Major Diogo) e foi trabalhar no departamento de vídeo e TV ESPM. E foram todas essas atividades que a mantiveram no curso de comunicação até o final.
Quando se formou na faculdade finalmente se matriculou numa escola de formação para atores (INDAC) ainda com o mesmo objetivo de sempre e lá se tornou uma atriz, começando seu próprio grupo e sua trajetória. Com toda a persistência para concretizar esse grande desejo, foi esquecendo ou deixando para 2º plano sua vontade de conhecer o mundo.
O sonho de conhecer o mundo foi ficando mais difícil de realizar, ora porque a carreira não permitia (estava em cartaz ou ensaiando alguma peça) ora porque o dinheiro estava em déficit (é realmente complicado manter uma condição financeira bastante favorável quando se faz teatro e quando a escolha por esse teatro é de pesquisa, não comercial ou… bom isso não vem ao caso agora.) O fato é que foi abdicando de milhares de outros pequenos desejos e do seu grande sonho por causa do que ama fazer.
Mais alguns anos se passaram exercendo insistentemente a sua profissão (agora já não trabalhava mais como publicitária) e foi percebendo que também não fazia o teatro que tanto queria. Foi caindo no lugar comum (o mesmo que dizer mediano), começou a cooperar com todos os trabalhos que a solicitavam sem ao menos refletir sobre o que realmente queria e tentando desesperadamente parcerias que nunca resultaram em nada realmente significante.
O que a motivava foi ficando num lugar desfocado, sem definição e sem estímulo, mas ai a grande novidade aconteceu: a oportunidade de ir para um Festival em Portugal com uma peça, sua primeira direção de um espetáculo adulto. Viajar com uma peça de teatro e ainda conhecer o mundo. E agora? Como fazer pra ir sem dinheiro? Será? Não é loucura? Todos os medos e receios gritando em sua cara. Mas felizmente algumas pessoas que a amam muito, incentivaram e a encorajaram, por isso lá foi ela.
Uma experiência intensa aconteceu vorazmente. Viajou cidades da Europa e absorveu toda a cultura e conhecimento possíveis desses lugares, não foi uma viagem cheia de aventuras emocionantes, não foi uma viagem que seja possível mostrar com provas materiais, mas foi a grande viagem dos sonhos. Uma viagem de reflexão, de autoconhecimento, conhecimento e SILÊNCIOS, um encontro com o que é e com o que acredita. Uma viagem que provou que as desculpas financeiras são só desculpas (porque acaba se dando um jeito), que os medos são desnecessários diante de tanta beleza absorvida, diante de tanta vida aprendida, diante da essência reconquistada. Um divisor de águas intenso que começou com um reencontro em Paris com uma amiga querida e terminou em Lisboa com novos e encantadores amigos.
Poucos meses depois desta grande viagem, numa manhã de abril, tentando manter essa chama acesa, já inserida em toda a realidade cotidiana, com todas as incertezas das coisas práticas da vida, das relações diárias de trabalho, das oscilações financeiras, com a sensação de ter vivido uma utopia, essa garotinha que cresceu cheia de pensamentos e desejos complexos abriu sua página no Facebook (viciada na rede social em questão) encontrou um post de sua amiga Sheylli Caleffi e descobriu que há momentos que as respostas nos chegam de forma inesperada e pra mim chegou como poesia e que quero compartilhar:
http://www.youtube.com/watch?v=vksdBSVAM6g
Essa garotinha cheia de sonhos, EU, certa vez ouviu de seu pai: “Voce não pode querer que todos sonhem os seus sonhos. Os seus sonhos são seus, então cabe a voce concretizá-los.”
Ninguém realmente pode nos dizer como ou quando realizar nossos sonhos, somos nós que devemos persegui-los, sonhá-los e vivê-los. Nossos sonhos são nossos e aos que se envolvem durante o percurso, os chamo encontros. Aqui quero agradecer os encontros que foram essenciais para a minha viagem, para o meu sonho se realizar:
Obrigada Angela mamazita e David meu papito queridos e amados, Carla minha irmã minha vida, Marcolino meu cunhado amigo, Munish, Luciana Silveira, Janaina Tupan, Sebastien Loesener e sua mãe, Rita Alves, Pedrinho, Artheom, Al-masrah, Silvia Romero, Pedro Lopes e Kleber Goes.
Aqui com meu sonho realizado e certa de querer faze-lo mais vezes (no mínimo a cada dois anos), digo que vale a pena conhecer o mundo e absorve-lo por completo. Hoje sei que a peça que vi aos 4 anos de idade era uma adaptação de A Menina e o Vento de Maria Clara Machado; já não sou mais tão ingênua achando que vou mudar o mundo com o teatro e fico feliz se uma ou duas pessoas saiam motivadas e transformadas; ainda sinto falta de praticar esportes, principalmente o voley; sou uma pessoa saudosista em um grau elevadíssimo e não me envergonho disso; já entendi que as dificuldades vão existir e que cabe a mim saber como enfrentá-las; sei que nem tudo vai ser sempre como desejo; sei que vou rir e chorar por muitos anos ainda de alegrias e tristezas; sei que quando tomo uma decisão movida pelo coração, por mais que haja consequências boas ou não, sempre vai ser a melhor decisão; aprendi que sou a principal autora da minha história ou deveria ser se quiser ter mais alegrias e conquistas; aprendi que preciso ser mais corajosa e destemida.
Aprendi principalmente que quero viver mergulhada na arte e banhada por poesia, que quero amar sempre não importa quem ou o que, quero viver alegremente e SONHAR enquanto for possível.
Um beijo as pessoas que são parte de mim!
Foto: encontrada na internet, sem autor.